Deputada quer explicações sobre “apagão” de dados da qualidade da água das praias

Camila Valadão protocolou pedido ao governo após denúncias de poluição e falta de monitoramento em quase metade dos municípios

27 fev 2026, 15:49 Tempo de leitura: 2 minutos, 15 segundos
Deputada quer explicações sobre “apagão” de dados da qualidade da água das praias

Foto: Kamyla Passos

Em pleno verão, a balneabilidade de algumas praias da Grande Vitória tem causado preocupação. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) revelou que o problema pode não ser só na região metropolitana, já que 43% das cidades litorâneas do estado não fazem nenhum tipo de monitoramento da qualidade da água.

A pesquisa também mostra que, mesmo onde existe monitoramento, 37,5% das prefeituras não divulgam os resultados em seus canais oficiais. Municípios como Presidente Kennedy, Anchieta, Piúma, Fundão, Conceição da Barra e Itapemirim estão entre os que não divulgam essas informações para a população.

Por isso, a deputada Camila Valadão (PSOL) quer explicações sobre o “apagão” de dados. A parlamentar encaminhou à Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEAMA) o Requerimento de Informação 15/2026 pedindo que explique os estudos que justificaram a transferência do monitoramento das praias aos municípios; as orientações dadas às prefeituras; as medidas para quem não cumpre a obrigação e se haverá norma para padronizar a fiscalização, com prazo definido.

Para a deputada, dividir essa responsabilidade sem uma coordenação do Estado coloca em risco a saúde das pessoas e o meio ambiente. “Sem padrão e com coletas irregulares, a realidade pode estar sendo escondida. Precisamos de transparência e de uma regra estadual que garanta segurança para quem frequenta as praias”, afirmou.

Segundo a parlamentar, o pedido é baseado em estudos que mostram que, desde 2016, quando o Estado passou a responsabilidade do monitoramento para os municípios, houve uma grande redução na fiscalização das condições próprias para banho.

Além do requerimento, a deputada, que é vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, solicitou uma audiência pública para discutir o assunto com a população, governo e representantes dos municípios do litoral capixaba.

A preocupação aumentou após relatos de manchas escuras e cheiro forte de esgoto em praias de Vitória, como a Guarderia e a Ilha do Frade. Na capital, apesar de haver monitoramento, boletins recentes indicaram que sete dos 26 pontos analisados estavam impróprios ou interditados.

“O que está em jogo é o direito a um meio ambiente equilibrado e a segurança da população. Fingir que não há dados é deixar o Estado no escuro diante de possíveis crimes ambientais e riscos à saúde”, concluiu Camila Valadão.

A deputada afirmou que continuará acompanhando o caso e cobrando providências para garantir que o litoral capixaba seja preservado e seguro para todos.

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