Calor extremo e risco de enchentes reacendem debate sobre adaptação climática no Espírito Santo
Indicação apresentada pela deputada Camila Valadão propõe estudos de risco e revitalização de rios para reduzir danos causados por eventos climáticos extremos
2 jan 2026, 14:11 Tempo de leitura: 3 minutos, 35 segundos
Foto: Heloísa Mendonça Ribeiro
O verão começou com temperaturas acima dos 40 graus em algumas cidades do Espírito Santo, intensificando a sensação de desconforto térmico e acendendo um alerta que vai além das ondas de calor. No entanto, historicamente, o período também é marcado por fortes chuvas, alagamentos e enchentes que colocam em risco comunidades inteiras, especialmente em áreas com pouca infraestrutura e planejamento inadequado.
Diante desse cenário, a deputada estadual Camila Valadão (PSOL) apresentou a Indicação nº 1715/2025, pedindo ao Governo do Estado a adoção de medidas para diminuir os danos provocados por enchentes e outros eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes em razão das mudanças climáticas.
“A crise climática já é uma realidade assustadora. Estamos vivendo ondas de calor cada vez mais intensas e, ao mesmo tempo, períodos de chuvas fortes que provocam alagamentos, deslizamentos e perdas de vidas. Fenômenos agravados pela emissão de gases de efeito estufa e pela ausência de planejamento urbano adequado em muitos municípios.O Estado precisa se antecipar a esses eventos”, afirmou a parlamentar.
A proposta, enviada antes do recesso parlamentar, tem como base contribuições da Associação Juntos SOS Ambiental e reforça a necessidade de cumprir a Lei Estadual nº 9.531/2010, que instituiu a Política Estadual de Mudanças Climáticas.
Entre as medidas indicadas está a contratação, por meio da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), de Análises de Risco Climático das bacias hidrográficas capixabas. O objetivo é compreender o comportamento dos rios tanto em períodos de estiagem quanto de chuvas intensas, a partir de séries históricas, subsidiando políticas públicas e o uso sustentável da água.
“Sem estudos técnicos e planejamento, seguimos apenas reagindo às tragédias que acontecem neste período. Precisamos conhecer o comportamento das nossas bacias hidrográficas para proteger a população e garantir segurança hídrica”, destacou Camila.
A indicação também propõe a revitalização dos rios, com reflorestamento das matas ciliares usando espécies nativas, além do aprofundamento das calhas em pontos críticos por meio de dragagem. Outra frente é a ampliação da capacidade de reservação de água nos municípios, reduzindo impactos de secas e enchentes.
Além das obras tradicionais de infraestrutura, o documento defende a adoção de Soluções Baseadas na Natureza, como o aumento da permeabilidade do solo urbano, a implantação de reservatórios de detenção, trincheiras de infiltração e piscinões em áreas sujeitas a alagamentos.
“Não basta investir apenas em concreto e canalização. É fundamental recuperar a natureza, ampliar áreas verdes e permitir que a água infiltre no solo. Essas soluções são mais eficientes e sustentáveis a longo prazo”, explicou a deputada.
A indicação ressalta, ainda, a importância de identificar, em parceria com as prefeituras, as pessoas em situação de maior vulnerabilidade, especialmente aquelas que vivem em áreas de risco. O documento também sugere a criação de espaços comunitários com conforto térmico, para acolher a população durante ondas de calor extremo, cada vez mais frequentes no estado.
“As pessoas em vulnerabilidade são as mais afetadas pelos eventos extremos. Justiça climática é garantir proteção, acolhimento e políticas públicas para quem mais precisa”, afirmou Camila.
Outro ponto central da proposta da deputada é a participação da sociedade civil nos processos de planejamento, decisão e implementação das políticas ambientais relacionadas às mudanças climáticas, fortalecendo o controle social e a construção coletiva das soluções. “Não existe política ambiental eficaz sem participação popular. A sociedade civil precisa estar envolvida desde o planejamento até a execução das ações”, concluiu.
A Indicação 1715/2025 reforça que enfrentar os impactos do clima exige ações preventivas, planejamento de longo prazo e integração entre poder público, comunidades e movimentos sociais. “Em um estado marcado por extremos climáticos, a pauta da adaptação volta ao centro do debate público como questão de proteção da vida e do território”, concluiu a parlamentar.