Data center em Baixo Guandu: Camila cobra participação popular e audiência pública
Deputada participação da população sobre instalação de data center e cobra do Governo do Estado informações sobre o licenciamento ambiental e os impactos socioambientais
6 nov 2026, 15:18 Tempo de leitura: 2 minutos, 44 segundos
A população de Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo, precisa ser ouvida sobre a instalação de um data center voltado à inteligência artificial no município. Essa é a principal reivindicação da deputada estadual Camila Valadão (PSOL), que apresentou uma indicação ao Governo do Estado solicitando a realização de consulta e audiência pública para discutir o empreendimento. A parlamentar também protocolou um Requerimento de Informações (RQI) cobrando esclarecimentos sobre o licenciamento ambiental e os possíveis impactos da instalação do complexo.
O projeto, desenvolvido pela empresa capixaba Line Solutions, prevê um investimento estimado em R$ 7,4 bilhões e a instalação de um centro de processamento de dados com capacidade inicial de 100 megawatts (MW). A estrutura integra o chamado Projeto Rubi, que também contempla um condomínio logístico intermodal e uma área destinada à instalação de indústrias. Ao todo, o complexo ocupará aproximadamente 11 milhões de metros quadrados.
Para a deputada, um empreendimento dessa dimensão não pode avançar sem transparência e participação das comunidades que serão diretamente afetadas.
“Não podemos permitir que um projeto desse tamanho seja discutido apenas entre empresas e governo, sem ouvir quem vive no território. Estamos falando de um empreendimento que pode transformar a realidade de Baixo Guandu, com impactos sobre a água, o meio ambiente e a vida da população. É fundamental que as pessoas tenham acesso aos estudos, possam fazer perguntas e participar das decisões sobre o futuro da cidade”, afirma a deputada.
Na indicação encaminhada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), a parlamentar solicita uma consulta pública, na modalidade de reunião participativa, e uma audiência pública para apresentação do empreendimento e dos respectivos estudos ambientais. A proposta também prevê ampla divulgação das atividades, para garantir a participação dos moradores.
Uma das principais preocupações do mandato é o consumo de água necessário ao funcionamento do data center. A proximidade com o Rio Doce e com a Usina Hidrelétrica de Mascarenhas está entre os fatores apontados para a escolha do município. Entretanto, ainda não há informações suficientes sobre o manancial que será utilizado, o volume previsto para captação ou a existência de autorização para esse uso.
Além da participação popular, a deputada quer respostas sobre os possíveis efeitos ambientais e sociais do empreendimento. No requerimento encaminhado à Seama e ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Camila solicita que os órgãos informem se foram apresentados estudos de impacto ambiental ou outros documentos relacionados ao projeto e, em caso positivo, disponibilizem esses materiais.
Outro ponto levantado pela parlamentar é a previsão de empregos. Embora o empreendimento anuncie centenas de vagas durante a construção, a expectativa é de um número significativamente menor de postos permanentes na fase de operação. A diferença exige atenção aos possíveis efeitos sobre a infraestrutura municipal e os serviços públicos.
Com isso, mandato busca garantir que a população tenha acesso às informações e participe do debate sobre os impactos do empreendimento antes das decisões sobre sua instalação.