Falta de planejamento do governo ameaça funcionamento dos CRJs no ES
Camila Valadão (PSOL) aciona Secretaria de Direitos Humanos e questiona contratos, recursos e falta de planejamento para garantir continuidade de políticas para a juventude
5 maio 2026, 16:44 Tempo de leitura: 2 minutos, 19 segundos
O vencimento de contratos e a ausência de informações públicas sobre renovação e financiamento colocam em dúvida a continuidade dos Centros de Referência das Juventudes (CRJs) no Espírito Santo nos próximos anos. Diante desse cenário, a deputada estadual Camila Valadão (PSOL) protocolou o Requerimento de Informação nº 71/2026, cobrando explicações da Secretaria de Direitos Humanos (Sedh).
Os CRJs são hoje referência nacional e uma das principais políticas públicas voltadas à juventude capixaba, com atuação em territórios marcados por vulnerabilidade social. Os espaços atendem jovens de 15 a 24 anos com atividades formativas, apoio social, iniciativas de inclusão produtiva, entre outras tarefas.
No requerimento, a deputada aponta que diversos contratos com organizações da sociedade civil responsáveis pela gestão dos centros têm prazo de encerramento previsto ainda em 2026, alguns já nos próximos meses.
“No entanto, não há nenhuma divulgação de novos editais ou garantias de renovação. A concentração desses prazos em um curto período levanta preocupação sobre a manutenção das atividades dos CRJs. Estamos falando de uma política que tem impacto direto na vida da juventude, especialmente nas periferias. Isso é preocupante!”, explicou a deputado.
Outro ponto questionado no documento é o financiamento da política para a juventude. Isso porque, parte dos recursos que sustentaram os CRJs nos últimos anos veio de um acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas, esse pacto foi encerrado em 2025 e não há informações públicas acerca da renovação do empréstimo para o ano de 2026 em diante. Ao mesmo tempo, a previsão orçamentária do Estado não detalha como será garantida a manutenção integral das unidades existentes, como explica o documento enviado a secretaria.
A parlamentar também cobra esclarecimentos sobre decisões administrativas recentes, como exonerações de profissionais ligados à execução da política, e questiona os critérios adotados pela gestão estadual. Para ela, a falta de planejamento pode comprometer tanto a qualidade do atendimento quanto a estabilidade dos serviços.
“Não dá para tratar uma política estruturante como algo provisório. A juventude precisa de continuidade, não de incerteza. O Estado tem que dizer com clareza como vai manter e fortalecer esses espaços”, diz.
No requerimento, Camila Valadão solicita informações detalhadas sobre o cronograma de renovação dos contratos, possíveis novos editais, medidas para evitar interrupções nos territórios atendidos e estratégias de financiamento da política de juventude para os próximos anos. O governo do Estado tem prazo de até 60 dias para responder aos questionamentos.
